Não é fácil ser empregado, mas acreditem que
não é nada fácil ser patrão.
No geral quando escrevo é a pensar na melhoria e futuro da
hotelaria, restauração e similares, tentar deixar algo útil
para as futuras gerações e empresas sustentáveis que primam pelas
boas práticas com empresários conscientes de que, como diz o
provérbio, “Roma e Pavia não se fizeram num dia”, como quem diz, “A pressa é
inimiga da perfeição”, " Devagar se vai ao
longe" ou "Grão a grão enche a galinha o papo".
É provável que muitos já conheçam esta forma de pensar,
vou repetindo como forma de relembrar muitos, empregados e patrões,
que nada acontece sem esforço, todos temos que nos formar e dar tempo
ao tempo umas vezes com saber, outras vezes com erros, mas
sempre com o objetivo primordial de aprender todos os dias com
vista a alcançarmos a paixão necessária para nos dedicarmos de “corpo e
alma” a uma atividade, neste caso, à hotelaria, restauração
e similares que, nos tempos que correm, já devia ser exercida com orgulho
por todos que a ela se dedicam independentemente da razão que os levaram a esse
setor: servir, ou mais bem dito, bem servir. Servir dá-nos satisfação,
conhecimentos, motivação e experiências únicas.
Cada
um tem a sua visão da vida, a nossa vida em si mesma é uma escola e todos
absorvemos as experiências de uma forma única por isso mesmo alguém disse: “"Antes de julgar a minha vida,
calce os meus sapatos, percorra o caminho que eu percorri. Viva as minhas
tristezas, as minhas dúvidas. Viva as minhas alegrias. Tropece onde eu tropecei
e levante-se, assim como eu fiz." (pensamento
atribuído a Clarice Lispector embora não confirmado)
O
que parece aos olhos de terceiros nunca o é na realidade até por que vivemos
numa sociedade de faz de conta no essencial. Ontem uma Mãe ficou
aborrecida comigo quando lhe afirmei que para o seu rebento ter algum sucesso
profissional tinha que nascer três vezes ou mais mesmo que, aparentemente, de
já ser uma pessoa de sucesso! Entenda-se que para alguns o sucesso é ter um
curso superior, apenas. Não posso estar com uma pessoa de sucesso que nada mais
faz que estar a jogar no telemóvel, não consegue escrever uma frase sem um erro
ortográfico e responde às nossas perguntas com um seco “yeah” e levanta o dedo
para os presentes como uma afirmação indubitável ao que estava a ser dito pela
progenitora.
Antes
que alguém pense que estou a pensar no meu próprio umbigo, não é por ter
escrito um livro ou outro que penso desta forma, mas faz muita falta a leitura,
faz muita falta a escrita. Tinha feito cinco anos há quatro meses quando entrei
na escola primária para a chamada primeira classe, recordo-me que desde essa
idade que tentava ter os cadernos impecáveis, cadernos diferentes para temas
diferentes com cores diferentes além do caderno com as duas linhas para
aperfeiçoar a caligrafia. Sempre gostei de escrever, de ler e olhar para o
trabalho bem executado com prazer depois de muitas tentativas e experiências.
Aos sete anos já tinha lido a maior parte dos livros da Anita ( cujos autores são Marcel Marlier, Gilbert
Delahaye), dos sete, dos cinco ( da
escritora Enid Blyton). Recordo-me com muita nostalgia de
pessoas que me incutiram o gosto pela leitura (os Villares Pires) e da minha
alegria ao receber o livro Clarissa e o Olhai os Lírios do Campo de Érico
Veríssimo que li e reli durante anos. Com dez anos já tinha lido muitas das
obras de Pearl Buck, também conhecida por Sai Zhen Zhu além de todos os
livros da Agatha Christie entre muitos outros.
Nunca
gostei de ser obrigada a fazer nada que não gostasse ou não fosse de acordo com
os meus valores, daí a obrigatoriedade de estudar os nossos
escritores foi uma situação muito complicada, recordo as aulas de português que
amava com algum azedume pela imposição da leitura de algumas
obras! Quando vou à casa de alguém ou a uma biblioteca e vejo algum desses
livros pese saber a qualidade dos mesmos olho-os com desdém e amargura,
a obrigatoriedade de os ler e estudar, penso hoje, deve ter-lhes tirado a alma
que encontrava em todos os outros que lera até então, falo claro está, dos
Maias, Auto da barca do inferno, Lusíadas, entre outros. Exceção vai para
Fernando Pessoa quem sempre me cativou pela existência de heterónimos facto que
sempre achei deveras curioso e me indago até hoje o que o motivara a tal
procedimento (muitas explicações que já me deram não me satisfazem, motivo de discussão
algumas vezes com o saudoso Pde. António Barreiros autor daquelas literaturas 1
(sec. XII ao sec. XVIII) e 2 (séc.XIX e XX) que éramos obrigados a carregar)?
A
par de tudo isto lá fui aprendendo coisas que me diziam ser essenciais
para o futuro como saber bordar neste ponto ou aquele ponto, fazer
crochê, fazer tapetes em Esmirna entre outros labores (graças à Dª. Raquel
Torrão dos Santos de Almeirim). Hoje penso que teria sido mais importante ter
aprendido a pregar um botão ou a fazer uma bainha, coisa que não sei.
Quando
falo dos meus valores, falo do certo e do errado, de ser gente e ser
gentinha. Devo ser uma das pessoas com mais erros por aí, todavia sei discernir
entre o bem e o mal até por que sempre nos foi ensinado que
devíamos observar muito bem os comportamentos à nossa volta e ponderar
nos mesmos.
Sempre
fomos obrigados a trabalhar nas férias fossem de dois ou
mais dias, logo se vê que as férias de verão eram um autêntico inferno
para quem gostava de se refugiar na leitura e a partir dos nove, dez anos na
música.
Nas
férias não havia tempo para nenhum hobby a menos, como é lógico, que
desaparecêssemos por algum período, o que fiz amiúde. Recordo com muita saudade
os longos passeios de bicicleta pelo monte do Bom Jesus de Braga que todos nós
conhecemos como a palma das nossas mãos para fugir ao trabalho.
Foi com estes procedimentos e ensinamentos dos que nos rodearam
durante muitos anos que comecei a amar a minha profissão pelo que
ela é na sua essência: darmos tudo de nós a outros seres humanos para os
fazer sentir em casa, começamos de dentro para fora e não de fora para dentro
como é apanágio fazer-se nos dias de hoje, um serviço diferenciado e com rigor
interno para satisfação de quem utiliza o externo. Enquanto o interno
não nos satisfizer em pleno não há como satisfazer o externo o que leva ao
declínio constante, em alguns casos sem retorno, independentemente dos esforços
extraordinários muitas vezes realizados
Depois
de muitas tentativas e experiências há que discernir e indagar
como chegar a um aperfeiçoamento sem complicações para um trabalho
bem executado donde resulta prazer e satisfação, sem imposições
que resultem em azedume ou desdém, tal aconteceu comigo com a já
falada obrigatoriedade de estudo de algumas das nossas obras no liceu.
O
curioso de tudo isto é que a vida é vivida a passos largos e é inevitável
chegarmos a meio da escada a pensar que é muito curta para realizarmos
todos os nossos objetivos quando, pela insensatez de alguns o
facilmente realizável se torna impraticável. A leitura abre horizontes,
consciências e ser pensantes aptos a realizar determinadas funções
que envolvem (de forma direta e indireta) um conjunto de conhecimentos
das mais variadas áreas essenciais, mas que ninguém dá por elas a olho
nu.
Dizia
o meu Professor de relações públicas/ direito Dr. Jaime Leite: “Como alguém na
universidade de Coimbra nos disse uma vez, isto parece um dilúvio de palavras
num deserto de ideias, mas interpretem o fundamental sem olhar ou pensar no
próprio umbigo e sempre no bem daqueles que representam, a quem só querem ver
singrar e ter sucesso”.
Daí
volto um pouco atrás e volto a referir que não posso estar com uma pessoa que
se queixa da falta de emprego, mas diz-me que não quer o filho licenciado a servir
outras pessoas, não foi para isso que estudou!
Além
dos estudos e muitas formações ao longo da minha vida, foi o servir
(bem servir) que me alargou os horizontes. Conheço pessoas
de todas as zonas do país e, mais do que isso, conheço pessoas de todo o
mundo (hoje até os filhos são minha visita). Todos os turistas nacionais
e estrangeiros que conheci ao longo de toda a minha carreira
ajudaram-me a ser quem sou, mas não é por mero acaso, sim pela dedicação
e disponibilidade que lhes demonstrei sempre, cumprimento de
todos os acordos ou promessas. Nunca nenhum cliente foi
confrontado com a informação de um erro do preço do alojamento ou das refeições
ou de outro serviço já depois de ter efetuado a reserva ou ter visualizado uma
tarifa diferente no nosso site. Todos os nossos preços sempre estiveram
afixados e bem visíveis de forma a não existirem quaisquer dúvidas tanto para
turistas nacionais como estrangeiros.
Mais,
sempre estive disponível para absorver ensinamentos de todos eles
quer fosse para a melhoria da minha prestação de serviço,
quer fosse para a minha cultura geral unicamente.
Neste
setor de atividade, só falo neste embora se aplique a muitos outros, está “démodé”
e é grave tentar fazer um empregado à imagem do patrão assim como
é completamente descabido e grave atribuir o cargo de chefe a um
qualquer funcionário sem conhecimentos e experiência para o
efeito.
A formação
adequada é essencial para ambas as partes, por um lado quem administra
fica a saber como administrar, quem chefia fica a saber como chefiar.
Só desta forma se conseguem equipas de futuro e se começam a
implementar procedimentos de gestão a bem de todos dando origem à
paixão pelo bem servir. Relevo que todos os membros da equipa
devem ter formação específica constantemente ministrada sempre
por pessoas com conhecimentos e experiência de alguns anos
e que tenham verdadeira adoração pelo bem servir.
Não é fácil ser empregado, mas
acreditem que não é nada fácil ser patrão. Tenho anos de experiência de
trabalho, muito trabalho, em ambas as partes e o mais
importante para sanar muitos dos problemas existentes da
atualidade é implementar soluções básicas para um alicerce robusto
e de futuro sendo um deles gratuito que é “a arte de se colocar no
lugar do outro” ou, também, parar de, como diz o ditado popular “olhar
para o próprio umbigo”.


























